
Há somente vinte anos atrás, eu e o Paulo Cavaleiro, acompanhados por mais alguns pioneiros, demos os primeiros passos na organização do triatlo em Portugal.
Não foi uma tarefa fácil, até pelo desconhecimento generalizado da nóvel modalidade desportiva que despontava (confundia-se com frequência triatlo com “teatro”) mas, o amor e a dedicação à causa tudo ultrapassam e assim, em Maio de 1987 constituímos a Associação Portuguesa de Triatlo (APT) e, dois anos depois, em Outubro de 1989, fundamos a nossa FTP.
Desde então, a modalidade consolidou a sua estrutura organizativa, quer no plano nacional, quer no internacional e, a sua inclusão nos jogos olímpicos garantiu-lhe a visibilidade e notoriedade que faltavam.
O Major José Luis Ferreira, com o nosso apoio, abraçou há cerca de uma década a liderança da FTP e é inegável o elevado empenho e dedicação que tem colocado na sua acção directiva.
No entanto, temos vindo a constatar que, gradualmente, se avolumam os indícios da tão humana “ilusão do poder”, e a outrora unida “família do triatlo” está hoje desavinda com a sua Federação.
As causas são diversas, mas tudo aponta para um denominador comum – o Major José Luis Ferreira está desgastado de sucessivas Direcções e, invariavelmente, não consegue trabalhar com as equipas que ele próprio escolhe por períodos superiores a um ano.
No anterior ciclo olímpico, as demissões foram múltiplas obrigando a sucessivas eleições intercalares e, no actual, com um ano de mandato, já somos forçados a novo acto eleitoral.
As causas são as do costume: “divergências profundas” e “incompatibilidade funcional” entre a Direcção e, desta vez, o Conselho Nacional de Arbitragem (CNA), utilizando as próprias palavras dos comunicados oficiais.
Por outro lado, pese embora os sucessos individuais de alguns atletas no plano internacional, o número de participantes nas provas nacionais tem vindo a reduzir-se, verificando-se o abandono precoce de muitos atletas promissores por manifesta falta de incentivos ou até por procedimentos disciplinares desajustados e desproporcionais.
A palavra “Processo” (disciplinar, judicial, etc.) entrou na linguagem quotidiana da nossa Federação.
È pois com um propósito de urgente apaziguamento que alguns sócios fundadores decidiram constituir uma lista alternativa aos Órgãos Sociais da FTP, a submeter a sufrágio no próximo dia 17 de Março de 2006.
A nossa única motivação é o amor à modalidade que ajudamos a organizar e pretendemos, mais uma vez, contribuir para o seu desenvolvimento, sustentado numa base alargada de praticantes de todos os escalões etários e diferentes níveis competitivos.
A decisão pertence agora aos clubes e respectivos atletas.
| CARLOS RAIMUNDO |
| Sócio fundador n.º 2 da FTP |
| Presidente da Mesa da Assembleia Geral (1989-2004) |
| Organizador do “Triatlo do Ambiente”, em Oeiras |
| |

|